Por Uma Educação Mais Espiritual

Eu sou professor espiritualista, e primeiramente gostaria de explicar o que é o Espiritualismo, e que sem ele não haveria nenhuma religião. Por quê?

Porque o Espiritualismo faz parte de todas as religiões que se dedicam para o bem estar dos seres humanos, e isso acontece tanto nas religiões cristãs como nas não cristãs que seguem dogmas do bem estar dos seus fieis.

Li a matéria “Educar para Crescer publicada pela revista Bem Estar (Bons Fluidos) do mês de setembro 2010 nº 138” onde havia uma entrevista com a pedagoga Dora Incontri, ela foi a organizadora do “l Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade” que aconteceu de 4 a 6 de setembro de 2010 na cidade de São Paulo. Segundo a revista, participou do evento muitos autores, alguns de diferentes países, especializados no assunto e que discutiram como implementar um método pedagógico de ensino religioso mais aberto e dinâmico nas escolas.

Voltando na entrevista da pedagoga Dora Incontri, a primeira pergunta da entrevistadora foi: “Qual o panorama atual do ensino religioso no Brasil?” A pedagoga Dora respondeu: “A lei de diretrizes e base da educação nacional prevê a inserção do ensino religioso na escola publica no Brasil como matéria optativa, mas cada estado adota uma legislação diferente a esse respeito. A melhor legislação a meu ver é a de São Paulo, pois não admite o ensino confessional dentro da escola publica isto é; o padre, o pastor, o rabino ou o catequista não podem ensinar a sua religião como a única ou a melhor. Em geral quem cuida do ensino religioso é o professor de historia, de filosofia ou de sociologia assim não há conflitos”.

Em minha opinião de professor espiritualista, acho que isto não deveria começar nas escolas e sim fora delas, nos lares dos alunos, aonde a família iria tomar o real conhecimento sobre a espiritualidade, como citei acima, que o espiritualismo entra em todas as religiões que praticam o bem estar a todos os seres humanos sendo cristã ou de outra doutrina.

Sendo assim, as pessoas deveriam saber que o Espiritualismo é a alavanca para levantar as pessoas, para começarem a caminhar no curso de suas vidas e não desanimarem. O Espiritualismo só ajuda as pessoas a terem “” e a se esforçarem para dar mais valor à vida, em não ter medo de enfrentar e resolver os problemas, saber viver bem e amar a vida, saber melhor sobre o amor, estender a mão ao próximo, fazer sempre boas amizades, amar e respeitar a si mesmo, e muito mais. As religiões estariam em uma vitrine mostrando como se aplica a espiritualidade às pessoas, e assim, as pessoas teriam condições de escolher aquela religião em que se adaptassem melhor e assim teríamos muito mais fieis divididos em todas elas.

Na segunda pergunta: “Qual é a saída então? A resposta da pedagoga Dora foi a seguinte: “A nossa proposta combina mais com a perspectiva histórica, pois não pretende impor doutrina de nenhuma religião particular, mas também não trata o tema de forma distante e racional nos meus livros e projetos, e varias religiões são apresentadas de maneira empática e cativante sempre com respeito à fé da cada um.

Em minha opinião, concordo com a resposta acima, mas, eu iria um pouco mais longe dizendo que as escolas deveriam por a mão no bolso e contratar profissionais especializados no assunto. E assim estariam aplicando a espiritualidade aos jovens, sem abalar a sua educação religiosa e, com isso, a maior parte dos jovens levariam este conhecimento aos seus pais, e estes acabariam também entendendo que a religião que praticam também tem uma base no Espiritualismo. Iria até um pouco mais além, e colocaria esse assunto na mídia, levando ao conhecimento da população que o espiritualismo é a força maior para educar, evoluir, ter paz, amar a vida e assim, iríamos conseguir uma educação perfeita para os jovens.

Na terceira pergunta da entrevistadora: E como é aplicado o ensino religioso nas escolas brasileiras nos dias de hoje? A resposta da pedagoga Dora foi: A escola publica em geral não adota livros de ensino religioso, pois o governo não indica nem fornece esse tipo de material com exceção de São Paulo onde é um professor geralmente de historia que cuida dessa disciplina, no resto do Brasil candidatam-se a tarefa catequista, pastores e padres que lecionam como voluntários já que alem do optativo as aulas não são pagas. Isto é ruim, pois torna o ensino religioso confessional doutrinário e favorável a uma única crença sem incluir outras linhas espirituais minoritárias. As escolas particulares mais fechadas, especialmente as religiosas privilegiam uma religião especifica ou excluem apresentações de outras praticas espirituais. Mas também existem as mais abertas sejam católicas ou não, e que optam por um ensino plural inter-religioso em que se incluem os vários caminhos espirituais. A mudança esta começando por essas escolas, particulares e abertas, nos grandes centros urbanos”.

Em minha opinião, isso é considerado muito pouco, se aplicar o espiritualismo nas escolas, vão ter uma educação de grandes valores humanos na ética, justiça, lealdade, fraternidade e o respeito, que esta própria revista coloca em evidencia. Mas, não só isto, porque o espiritualismo irá colocar os jovens mais unidos as suas respectivas famílias, e irá ensinar a estes jovens também o patriotismo. Os jovens também teriam direito de igualdade, seriam ouvidos por um lado maravilhoso de união fraterna, dos vizinhos do seu bairro, da cidade, do país e do mundo inteiro, porque não seriam faladas ou discutidas as diferenças de religiões, e seria respeitada individualmente a religião de cada um. Mas, sabemos que o maior problema para as escolas públicas ou particulares para ter a matéria Espiritualidade incluída na grade curricular, seria a de ter professores espiritualistas, que iriam dar a estes jovens a grande oportunidade de uma educação verdadeira.

As escolas particulares que estão dando abertura a esse assunto, estão dando incumbência aos professores de história, mas na verdade somente algumas dão algum respaldo a estes professores, a maioria das escolas deixa o professor sozinho, não dando a ele nenhum tipo de apoio, pelo contrario, cobram do professor o que ele não pode dar por falta de conhecimento no assunto.

Agora, vamos para quarta pergunta da entrevistadora: Por que é tão importante acrescentar a dimensão espiritual no currículo escolar?”.

Resposta da pedagoga foi a seguinte:Bem o ser humano tem um lado espiritual que precisa ser respeitado, uma educação que não complete essa dimensão é uma educação aleijada. Hoje existem pesquisas cientificas realizadas por médicos, psicólogos ou psiquiatras que afirmam que a espiritualidade tem um impacto extremamente positivo na saúde e na qualidade de vida. Outra razão para se introduzir essa matéria nas escolas é que 99% da humanidade adota algum tipo de pratica espiritual. Uma escola que não considere esse fato mais integra as características da sociedade, alicerce de uma boa educação. O ensino inter-religioso também mostra a tolerância e o respeito com relação a todos os caminhos espirituais. Mas como existem traumas históricos relacionados a imposição religiosa com seus dogmatismos e repressões é preciso tomar cuidado para que esse resgate não favoreça um novo tipo de fanatismo”.

Em minha opinião, muitos médicos psicólogos, psiquiatras e cientistas de hoje, tem grande conhecimento sobre a espiritualidade, e se for aplicado à espiritualidade na educação de todos nós, no prazo de 50 anos o mundo será outro bem melhor, com um índice muito menor de violência. A espiritualidade irá fazer com que as pessoas passem a entender muito mais sobre suas religiões e a respeitá-las e ter o mesmo respeito pelas demais religiões, assim irá existir muito mais amor, compreensão e dedicação no mundo, parando de vez com esta lavagem mental que andam fazendo por ai, muitas vezes fazendo das religiões verdadeiras instituições financeiras. Será o fim do que já existe e também do fanatismo religioso.

A quinta pergunta da entrevistadora: Neste sentido qual seria então o grande argumento contra o ensino inter-religioso?

A resposta da pedagoga Dora foi: Seria o argumento de que esse ensino deve ser feito no âmbito da igreja, a religião achatada pelos familiares, sem referencia a outras formas de expressão da espiritualidade, ora uma pessoa pode muito bem não ser católica e se identificar com as palavras de São Francisco de Assis ou se inspirar no exemplo da Madre Teresa de Calcutá, também pode ser Hindu e apreciar a política de não violência de Ghandi. Eu e o professor Alessandro Cesar Bigheto, também pedagogo, somos condutores dos livros em que usamos de modelos éticos dos grandes lideres espirituais. Enquanto isso nas escolas tradicionais, conquistadores e estrategistas são como referencias de grandes seres humanos. O objetivo da nossa proposta é inserir na educação valores humanos como a ética, justiça, lealdade, fraternidade, respeito, no entanto esses valores têm origem religiosa e isso não se pode ocultar”.

Concordo com a pedagoga Dora, tem que se dar o primeiro passo, e, sabemos nós que é difícil, ponha difícil nisto! Hoje em dia enfrentamos uma grande dificuldade de que a própria família já tem uma formação religiosa, mas, em minha opinião, nós deveríamos começar pelos dois lados juntos, pela escola e pela família, nos jovens, certamente vamos encontrar a maior facilidade de entendimento, mas, vamos encontrar grandes obstáculos na família. Sabemos nós espiritualistas que a maioria dos religiosos nos responde da seguinte maneira: Ah! Sigo a religião dos meus antepassados, os meus familiares que me ensinavam”. Deveríamos mostrar a todos, primeiramente aos familiares que o Espiritualismo é a base de todas as religiões que cuidam do bem estar das pessoas, nunca devemos esmorecer, e também ensinar que a ética, justiça, lealdade, fraternidade e respeito que é ensinada por todas as religiões que praticam o bem. A grande verdade é abrir o dialogo familiar, mas com isto teríamos mil dificuldades, porém a semente será plantada mostrando à família a verdadeira formação religiosa sem a necessidade de mudar de religião.

Eu ainda acredito no confronto família e espiritualidade, seria o caminho mais lógico, já que estamos tendo uma invasão de tantas novas crenças, e as famílias está mudando o seu credo, eu acho que este caminho seria o mais fácil. Não tomei a decisão de fazer este trabalho, porque ainda não tenho condições financeiras, mas em breve irei realizar.

Vamos para a última pergunta feita pela entrevistadora: “O que é necessário para a escola mudar e adotar uma educação espiritualista aberta?”.

A pedagoga Dora respondeu: “A mudança depende muito do apoio de um número maior de diretores de escolas, professores, estudantes de pedagogia, mães, pais, legisladores e profissionais da mídia. Daí a importância do l Congresso de Educação e Espiritualidade, que discutirá temas ligados ao futuro do ensino religioso, tanto no Brasil como no mundo nele, estarão reunidos professores universitários ligados ao assunto e grandes especialistas internacionais, que discutirão como e onde essa transição esta acontecendo”.

Eu penso que devemos começar por algum lado e nesta parte estou mais tranquilo, porque já comecei com os adultos, o que acho bem difícil, mas não impossível. Já estamos obtendo alguns resultados bem positivos, são poucas pessoas participando desse trabalho, mas já estamos tendo depoimentos que irão ajudar em muito na nossa caminhada, mas concordo com a pedagoga Dora quando ela diz que para a educação a única solução que temos em mãos são estes encontros de profissionais, estudantes, pais e diretores de escolas públicas e particulares.

Não desanime amiga pedagoga, quando como li essa reportagem na revista, fiquei muito feliz por eu não estar só nesta maravilhosa caminhada, e gostaria de agradecer a todos, primeiramente a jornalista Liane Alves por estes textos maravilhosos e por esta revista, a todos os nossos aplausos. Parabéns!