Rejeição

Rejeição a meu ver é uma palavra muito pesada porque na minha vida eu fui rejeitado por diversas vezes, nunca por mim, mas pelos meus familiares, então, eu sei como esta palavra machuca muito até hoje quando penso e não tenho vergonha em relatar:

- Eu fui o quinto filho do casal, o caçula, dizem que os caçulas são sempre os mais protegidos, mas no meu caso não aconteceu isso, a minha avó materna me ignorava, ela era doente e já não podia andar, pois tinha quebrado parte da coluna vertebral, era uma mulher doce para os meus irmãos, chamava-os na sua presença, dava carinho e contava histórias para eles, inclusive, algumas histórias mentirosas da sua própria vida.

Por que mentirosas? É porque vim saber mais tarde por um filho dela, meu tio, que foi uma mulher violenta, que ela era uma mulher de índole muito forte e que veio para o Brasil, saindo do Porto da Itália direto para o Brasil e deixando ele para trás com uma irmã dela, foram enganados para ela fugir deles, mas depois de ficarem adultos juntaram dinheiro, vieram para o Brasil e acabaram se encontrando com a sua mãe que mais uma vez o rejeitou.

Pela narração dos meus tios fiquei sabendo que ela não era uma pessoa de boa índole, geniosa, orgulhosa e maldosa e então agora eu penso: “Eu tenho pena dela”, ela faleceu há muitos anos.

E, infelizmente, também tive um pai terrível que não era chegado muito ao trabalho e que também me ignorava igual à sogra dele.

A minha mãe também, o seu terceiro filho era menino as outras meninas, só eu e ele éramos homens e as duas mais velhas não ligavam pra mim, mas tive um avo paterno e com minha avó que foram maravilhosos para mim, mas infelizmente o que é bom, dura pouco, dos meus irmãos só uma irmã que me acompanha até hoje, que é o meu consolo.

O que me salvou foi a religião do meu avô paterno ele era Esotérico por sua causa e em homenagem a ele eu também sou esotérico.

Bem, estou falando sobre minha vida bem por alto sem muitos detalhes porque não quero reviver tanta dor. Escutei toda a minha vida: Porque não morre!”, e isso me magoava muito, tinha tudo para ser pelo menos um malfeitor, mas quando mudei para Ribeirão Preto eu vim conhecer um amigo do meu avo o Sr. Otto Bens, a vida dele era difícil, a sua maior dificuldade era em ser aceito por causa de sua religião, mas era um homem dedicado que eu tive muito orgulho em conhecê-lo.

Foi a minha luz. Um dia o senhor Otto me disse: “Você tem que estudar, já estava com dez anos de idade e ele me incentivou a fazer o curso de alfabetização de adultos a noite e eu o ajudava vendendo perfume para ajudar o Círculo Esotérico, ele vendia também anéis esotéricos e algumas coisa mais, eu vendia só os perfumes, fabricados por ele mesmo e devo a ele em ser o que sou hoje, porque ele também foi rejeitado pela sua nacionalidade e pelo povo de um modo geral.

Isso não o abatia, aliás, foi isso que me deu força para enfrentar a minha vida e os meus problemas. Estudei, e por causa dos meus estudos me afastei do Sr. Otto, mas quando tínhamos oportunidade nós nos encontrávamos e batia aquele papo. Ele incentiva os meus esforços e dava ânimo para eu trabalhar.

Hoje o que eu sou: Um professor universitário aposentado e devo ao Sr. Otto, ele me chamava de orgulhoso porque nunca aceitei o dinheiro dele, e ele sempre falava: A nossa amizade é a nossa amizade, somos amigos porque temos um interesse só de sermos amigos”.

Que saudades!...