A Lei do Carma - Parte I

Muito se fala sobre a Lei do Carma, procuraremos fazer uma pequena análise de nós mesmos. Segundo o Senhor Vivasvat R.C.: “cremos ser indiscutível de estarmos procurando, dia a dia, programar nosso futuro”. Como diz Swami Vivekananda: “Hoje fixamos o destino do amanhã, amanhã fixaremos o destino do dia seguinte, e assim por diante”.

Parece-nos lógico e incontestável tal entendimento, pois forjamos com nossas palavras, atos e pensamentos, aquilo que viremos a ser com o passar do tempo. Se, estudo com denodo, objetivando conseguir diplomar-me em determinada profissão, por certo o conseguirei; se me esforço no meu trabalho, exercendo minhas atividades com zelo e perfeição, despertarei a confiança dos meus superiores, de acordo com o que planejei; da mesma forma, se não me esforço, se não luto, se me considero um derrotado ou deserdado da sorte, estarei forjando um futuro sem perspectiva, devendo sofrer as consequências de minha inércia.

Ora, se assim ocorre no que concerne ao futuro, julgamos óbvio utilizar o mesmo raciocínio em relação ao passado, visto como, se modelarmos o mesmo raciocínio em relação ao passado, visto como, se modelarmos o nosso porvir pelas ações de hoje o que somos agora é fruto de nossas ações passadas.

Então, verificamos que a nossa existência é um encadeamento constante de ações e reações, uma sequência de causas e efeitos. Vivemos, portanto, presos aos frutos de nossas realizações.

Corroborando tais assertivas, já dizia o senhor Buda, seiscentos anos a.C, que somos os artífices dos nossos próprios destinos, acrescentando que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

A palavra Carma é originária da Índia e significa Ação ou Realização, quer seja no plano físico, mental ou espiritual.

Assim, se temos consciência de que toda ação corresponde uma reação, podemos concluir que, desde que tempos imemoriais, vimos colhendo os resultados do que fizemos de bom ou de mal, de positivo ou negativo, apesar de muitas pessoas se negarem a aceitar essa verdade, mormente quando, em decorrência de dogmas doutrinários de certas religiões ou por se negarem a analisar os fatos sem isenção de ânimo, rejeitam sumariamente a Teoria de Reencarnação.

Eis algumas considerações colhidas em trabalhos escritos, sobre a Lei do Carma, que é à base do pensamento e filosófico Hindu e já conta com aceitação de grande maioria dos Povos Ocidentais, tendo encontrado a Doutrina Espiritualista como um de seus adeptos, defensores e expositores.

Do mesmo modo que a lei de Causa e Efeitos faz-se sentir no plano físico, a Lei do Carma ocorre nos planos éticos, moral e pessoal, proporcionando sempre novas experiências a criatura humana, como um todo, uma sequencia contínua de vidas, até a paralisação da Roda de Samsara.

Segundo essa base filosófica, quando o ser humano age de forma irregular, seu caráter praticando atos negativos, nesta ou numa próxima existência será afetado negativamente, passando ele a sofrer os efeitos dos males por ele produzidos; da mesma forma, ao praticar atos de bondade, caridade, amor e serviço, o seu caráter melhorará sensivelmente, vindo ele a ser beneficiado como consequência do bem praticado.

Isto demonstra que a Lei do Carma é o registro contábil perfeito do nosso cotidiano do débito e do crédito que contraímos indo muito além de apenas uma existência física. Ela demonstra insofismavelmente que tudo o que somos agora resulta do que fizemos ou pensamos no passado e que viveremos no futuro o que criarmos agora.

Compreendendo as Leis do Pensamento, seremos capazes de amoldar nossos caracteres como desejarmos, lembrando-nos do provérbio que dizia: “Um homem se torna o que pensa ser. Pense que é puro e se tornará puro. Pense que é nobre e nobre será”.

Seria ilógico pensar que o Poder Absoluto determinaria, ao seu bel prazer, o nascimento de um homem bom e outro mal, um rico e outro pobre, um bonito e outro feio, um sadio e outro doente.

Ele jamais utilizaria Vontade e Poder num plano de determinismo superior, nisto como demonstraria assim uma injustiça inconcebível, em contradição e assertiva bíblica segundo a qual Deus fez o homem à sua imagem e semelhança.

Assim, as desigualdades havidas na existência dos seres humanos resultam de seus próprios atos únicos e exclusivamente.