Amor Sincero

A devoção verdadeira é aquela que nós pensamos gostosamente, para atingir a partir do ser que estamos amando, seja Deus, ou qualquer espirito iluminado que temos admiração, assim, cria-se a grande alegria para o indivíduo libertar-se de si mesmo, realmente tem que esquecer-se do Eu consciência e observar através do ser amado, da origem da Vida Una.

Estou falando do amor carnal que é um amor igual ou maior que o ser humano dedica ao seu par, ele é mais forte por ser um amor real.

No lado religioso, há formas e posições umas muito severas e outras mais indulgentes que vem confundindo a cabeça dos jovens, que hoje, fogem das religiões com muito pavor e se torna um ser incrédulo e a culpa não é do jovem, é do modo da criação recebida, das lições e orientações religiosas mal dirigidas, porque seus aplicadores, os orientadores religiosos, de todas as religiões, não sabem colocar.

Para entender vou dar um exemplo acontecido comigo:

Fui coroinha da Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, e lá estava, porque além de ser um menino, eu tinha conhecimento do latim, uma língua extinta há muitos anos, e antigamente ainda as missas eram rezadas em latim.

Eu estava na Sacristia e o sacristão, o “seu” Paulo, um senhor loiro, de bigode, era daqueles religiosos que conseguiu o direito de sacristão, e, naquela noite estávamos os três coroinhas brincando na sacristia, jogando “bafo” e sabe como era esse jogo?

Era com figurinhas de futebol, no qual se batia com a mão nas figurinhas e as que virassem você ganhava, quem estava jogando era eu, o Zulimar, o Francisco e o Padre José, que queria ganhar uma figurinha carimbada para completar o seu álbum.

E a figurinha era do jogador “Friaça” e quando foi à vez do Padre Jose, ele gritou porque virou todas as figurinhas e houve uma discussão entre ele e Francisco que acusou o padre tinha roubado e o Padre José não se defendeu e devolveu a figurinha e saiu do jogo muito magoado e Francisco ficou chorando de arrependimento.

Nisso, não sei como e nem quem foi que usou o estilinguinho de dedo, com um chumbinho, e ao atirar foi bater no prato que representava a Eucaristia e o Padre Jaime veio gritando como se estivesse morrido alguém, eu fui ajuda-lo a pegar os cacos e ele estava agachado já pegando e não aceitou a minha ajuda, me pegou pelo braço, me chacoalhou bastante e me expulsou da Igreja e me excomungou.

Os Padres José, Paulo e Arnaldo Padovani e o Monsenhor Celso chamaram atenção do Padre Jaime e ele usou dessas palavras, olhado pra mim: “Tomara que morra! Não quero ver você mais na minha frente!”.

E todos os Padres, inclusive, o Monsenhor Celso vieram me abraçar porque nesta altura eu estava chorando e sentiram também que eu era uma criança, tinha só oito anos, então me acalmaram e o Padre José me levou em sua bicicleta, eu sentado atrás, na garupa, para minha casa.

Fiquei muito chateado, porque eu tinha sido excomungado pelo Padre Jaime e era isso que me chocava, ser expulso da igreja isso eu não ligava. Passaram-se os dias, eu estava trabalhando, vendendo ovos, doces e frangos, no Mercadão Municipal, que tinha pegado fogo e funcionava com barracas e senhor Gino Iossi, dono de uma delas, perguntou-me:

- “Florencinho, o que você tem? Esses dias, está tão calado e triste?”.

Eu me desabafei com ele, contei-lhe o que tinha acontecido comigo.

- “Disgraciato do Padre, vou dar-lhe um tiro na boca!”, ele exclamou bravo.

- “Não, seu Gino”, eu falei.

– “Vou conversar com esse padre que isso não se faz com uma criança!”, continuou.

Eu tanto lhe pedi que ele se acalmou e, também, pedi para ele não contar nada para o meu pai, que esse era bravo!

Passado uma semana, desencarnou uma pessoa muito ilustre na cidade e o Bispo Amaral Mousinho quem ia benzer o corpo de missa presente e mandou-me chamar, pois, queria que eu o ajudasse nessa celebração, foi então que os padres Paulo e José, contaram tudo para ele, inclusive, da expulsão e da minha excomungação.

O Bispo não quis saber, mandou me buscar assim mesmo, rodaram as ruas de Ribeirão Preto para me encontrar, eu vendia barras de doce de leite e de goiabada, de 1 kg, feito em Jardinópolis.

Eles encontraram-me na Rua Lafaiete com a Rua Cerqueira Cesar, pertinho da casa do falecido, me levaram para a sacristia da catedral, deram-me um banho e eu falando: “Não vou!”, nisso o Bispo chegou perto de mim e disse-me:

- “O que você quer para ir, além, de umas moedas?”.

- “Eu quero que o Padre Jaime me peça perdão!”, falei.

- “Por causa disso não”, me respondeu.

Mandou chamar o Padre Jaime e ele veio com aquela cara e o Bispo então pediu para ele pedir perdão pra mim.

Ele me olhou com descaso, tremendo e me falou “Perdão”, virando em seguida as costas para mim.

- “Não aceito”, respondi, e, ele parou.

- “Como quer?”, perguntou-me o Bispo.

- “Eu quero que ele se ajoelhe e virado pra mim me fale: Perdoe-me garoto!”.

- “Você é forte menino”, falou-me o Bispo.

E o Padre Jaime fez como eu lhe pedi.

- “Ele te excomungou não é?” perguntou-me o Bispo.

- “Sim”, respondi-lhe.

- “Esses frangotes, que não sabem excomungar, eu vou tirar isso de você!”, concluiu o Bispo Amaral Mousinho.

Ajudei o bispo com maior prazer e ele me deu um bom dinheiro, com parte desse dinheiro eu fui para Tambaú no domingo de manhã, de trem, encontrar-me com um grande amigo que gostava muito de mim, eu o ajudei muito e ele também a mim, meu querido Padre Donizete e ele me falou:

- “Você é o mais lindo devoto da minha igreja”.

É por isso que mantenho a minha devoção por esse Padre Santo de Tambaú, Padre Donizete, e, ele continua sendo a minha luz, iluminando o meu caminho.