Minha História de Vida

    Um belo dia eu estava fazendo as minhas orações matinais, pedindo para que a humanidade tivesse mais Paz, Saúde, Harmonia e Prosperidade, eram quatro horas da madrugada – o meu pensamento foi distante.

    A oração que eu fazia, era falando com Deus - Todo Poderoso, ela era assim:

   "Entrego-me a meu Pai Todo Poderoso, sei que sou mais um filho e sei que sempre me olha com muito carinho, porque é o meu querido Paizão, que Te amo com todas as energias de minha “Fé”, ao meu mais perfeito espírito que existe no Universo.

   É o mais sábio do que todos nós humanos juntos, criou o Universo que hoje é muito habitado por energias puramente atual, és o maior engenheiro e arquiteto do mundo.

  Sabemos que o Senhor existe, mas para nossos olhos o Senhor é um eterno invisível, porque ainda temos as condições mentais muito falhas, os nossos pensamentos são ainda tão pequenos que não temos ainda a terceira visão aberta para enxerga-lo.

   Tenho “Fé” em Ti, mas não me preocupo, o mais importante que “Vós” nos vê. Sabemos que quando choramos, enxuga as nossas lágrimas bebendo-as de tanto amor que tens por nós.

   Gostaria de ter esta força para beber suas lágrimas porque sei que lhe causamos tantos sofrimentos, quão fabulosas é sua “Fé” sempre a nos perdoar e nos dando grandes oportunidades para que possamos ser mais unidos, o Senhor nunca desistiu de nós, muito obrigado Paizão, querido Deus."

    E de repente acendeu em minha mente que uma criança chorava de muita dor, ajoelhada orando pedindo a Alá a cura de sua mãe, que dizia:

   – “Meu querido Paizinho que é o meu querido Alá que mora aí no céu, o Senhor tem um tempinho para mim, para que eu possa fazer um grande pedido, me mande um anjo porque sei que o Senhor é muito ocupado, para curar minha mãezinha que está muito doente e pode morrer.”.

   Ajoelhei-me ao seu lado e coloquei a minha mão em seu ombro, a minha mão tremia, a emoção tomava conta de mim, aquela criança abriu os olhos chorando olhou para mim e gritava falando:

   –Obrigada Paizinho, o Senhor me escutou, o seu anjo já chegou, fiquei olhando para aquela menina, o anjo que ela tanto pedia era ela, nunca irei esquecer seu rosto banhado em lágrimas olhando para minha pessoa, me senti tão frágil que mais parecia um cristal límpido, o meu coração estava totalmente descompassado, batia com tanta força, que eu não conseguia falar, queria tanto dizer-lhe que eu não era aquele anjo que ela pedia a Alá, que eu era também um grande sofredor, mas não conseguia falar uma só palavra e neste momento sentia em meu peito uma dor terrível, parecia que eu estava sendo fulminado naquele instante, olhei para ela, me levantei com grande sacrifício.

   Ela era tão pequenina abraçando as minhas pernas e disse-me:

   – Arcanjo Gabriel o Senhor veio para curar a minha mãe?

    Neste momento eu senti que estava sumindo, foi uma sensação muito estranha que formigava a minha língua, parecia uma pedra de cristal fria, gelada e passei a sentir o meu corpo endurecer e gelar, ainda me lembro de que eu chorava muito e fui sumindo, lembro-me perfeitamente da minha queda ao chão, não estou lembrado se senti alguma dor! Não sei quanto tempo fiquei naquele estado? Quando acordei vi um senhor moreno de olhos negros me olhando, não conseguia me mover e muito menos falar, aquele senhor me trouxe uma caneca com água, levantou a minha cabeça e foi pondo a caneca em minha boca e ia colocando bem devagarzinho a água, e pensei: “Ele sabe o que está fazendo”.

    Olhou bem para mim e sorriu. Nunca em minha vida vi uma boca tão rica em seu sorriso, só via ouro na sua boca, era bem falante, só tinha uma coisa eu não entendia o que ele falava e que o fazia com uma rapidez incrível. Ele dava cada gargalhada, eu pensava: “Será que está rindo de minha pessoa por estar nesse estado deplorável?

    Queria me mexer e não conseguia, tentava falar e nada, vinham só alguns sons sem nexo, fiquei naquele estado por algum tempo e aquele senhor sendo o único amigo ou vigia, eu pensava que ele estava me dando algum entorpecente e também pensava se estivesse me dando algum entorpecente, nesta altura já estaria morto, a noite dormia com muita paz, só que esta paz era muito barulhenta porque o homem roncava, assim, adormeci e quando acordei estava só e, escutava barulhos que vinha lá de fora, eram conversas só que não conseguia compreender nada e pensei: “Melhor é ser mudo mesmo porque eles não vão entender nada. Mas se eu pudesse voltar a andar pelo menos poderia fazer a minha comida, seria bem mais gostosa” e, de repente, senti a língua formigar, também as pernas e o corpo, com uma terrível dor de cabeça que acabei gritando e perdi novamente os sentidos, quando acordei estava em outro local dei um pulo na cama e caí no chão e gritei: “ui”...

    Nesse momento percebi que a minha voz tinha voltado e que eu estava acordando de um grande pesadelo, fiquei em pé, sentia tonturas incríveis, sentia o corpo muito leve, estava vestindo uma mantilha que cobria todo o meu corpo limpo, tinha no quarto um espelho muito grande onde pude ver as riquezas da mantilha que no mosteiro em que estudei só os grandes Mestres usavam-nas, era transparente, por baixo um calção de uma seda mais grossa, muito gostosa, uma sandália dos grandes Mestres.

    Chamei por alguém e apareceu uma moça linda, morena, alta, de cabelos compridos e logo entrou também o meu amigo, vamos dizer de solitária, e pensei por uns instantes que ele deveria ter sofrido mais do que eu; porque passei mais tempo fora de mim e logo veio à minha mente o rosto da menina. E perguntei para a moça da menina, e ela me respondeu em Aramaico.

    – Ela e a mãe estão ótimas.

    Neste momento caí de joelhos no chão agradecendo a Deus, o choro tomou conta de mim e percebi que a moça morena sorria, mas ficou imóvel e o meu amigo chorava também com muita paz, ele também ficou imóvel, como se eu fosse algum ser mandado do céu. E aquele meu companheiro parado em frente aquela moça bonita falou em seu idioma que deu para eu entender: “Gabriel”.

    A moça me fez reverência como se eu fosse no mínimo um santo. Naquele momento eu fiquei muito confuso não sabia o que realmente estava acontecendo, e ao mesmo tempo estava morrendo de medo, não tinha certeza de nada, se eu estava sendo adorado ou estava sendo preparado para morte, não entendia nada o que as pessoas falavam, enfim, a minha dúvida era cruel até que veio um senhor muito simpático e falou comigo em Aramaico e me perguntou se eu estava sendo bem tratado.

    Neste momento eu fiquei muito alegre, por fim estava entendendo o que aquela pessoa estava falando e lhe respondi também em Aramaico:

   – Sim, até este momento fui sempre muito bem atendido por todas as pessoas. Nada tinha a reclamar e sim só agradecer que não entendia nada do que elas falavam, mas ao mesmo tempo eles não entendiam nada do que eu dizia.

    Este senhor deu uma gargalhada e disse-me:

    – O meu nome é Ben Abdel, e estou ao dispor, e aquele senhor que o acompanhava era Sami e a morena era a sacerdotisa Am e que eu se encontra em solo Saudita na Arábia.

    Neste momento pensei: “Sim o meu destino era a Arábia Saudita, mas como cheguei aqui”.

    – Pode me explicar como cheguei aqui? Perguntei ao Ben, que me responde:

   –Sei que é um discípulo e que a sua dedicação sempre foi exemplar, pois recebi uma correspondência do Tibet pelo Senhor Supremo Divino Senhor Mestre Li Chang que seria encontrado em um lugar próximo do nosso posto militar, na divisa do nosso país e quem o encontrou foi o Senhor Sami que até hoje cuidou do senhor, que agora cedo foi ao encontro de sua família, ele o encontrou desmaiado e devia estar neste estado algum tempo. Sami me falou que o seu nome é Gabriel.

     Eu logo me liguei naquela menina que orava a Alá para mandar um anjo para salvar a sua mãezinha que estava morrendo, sei que quando coloquei a mão no ombro da garota ela pensou que eu era um anjo. Não sei quanto tempo me demorei a voltar e quando voltei a mim ela abraçou minhas pernas que tremeram, ela era tão linda, aquela menina e apaguei, mas quando acordei novamente vi este senhor que disse ser Sami e carregava aquela menina no colo e chorava e agradecia também.

   –Ben, respondi – o meu nome não é Gabriel e sim Florêncio Antonio Lopes e contei a ele toda a história da menina.

   Ben escutou com muita atenção e quando acabei ele me falou:

   –Agora está tudo certo, corresponde com o nome que o senhor está nos dando.

    Uma moça que acompanhava o Bem desde o início falou:

    –Sami deixou isto para entregar-lhe.

    Ao abrir eram todos os meus documentos, estava tudo certinho.

    – E a menina e a mãe dela eu gostaria de saber como estão, tornei a perguntar a Bem, que me respondeu:

    – Sami foi ao seu encontro como a última missão para nosso exército, ontem deu baixa, só esperou o senhor vestir o traje de Santo, que para nós é apenas um espírito iluminado, Sami foi para esta missão de fundo religioso para lhe acompanhar e nada consta que ele foi acompanhado por uma senhora e uma criança, o senhor vai me desculpar, vai ver teve um delírio do deserto, Sami foi condecorado como um soldado exemplar e nos deixou, aí a moça falou:

   – O senhor nos trouxe o manuscrito dando apoio dos mestres do mundo e chegou aqui delirando chamando constantemente por Gabriel por isto por algum momento pensamos realmente que o senhor fosse o arcanjo Gabriel que os ocidentais acreditam muito neste Santo, agora tudo foi explicado, sabemos agora que é o discípulo Florêncio Antonio Lopes que veio na missão de trazer para nós este maravilhoso documento de apoio à nossa causa, vou mandar imediatamente trocar a sua roupa para iniciar a sua caminhada de volta, mas fique sabendo que para nós é um espírito muito iluminado. 

    Fizeram-me muitos gestos de admiração, mas também queriam ficar livres da minha presença me parecendo que seria uma grande ameaça e naquele momento que tinham só falado palavras elogiosas, e de repente passei a ter a impressão de que eu era portador de uma doença mortal.

    Deram-me um jegue até encontrar outra condução a caminho para atravessar a fronteira, eu ia conversando com o jegue, chorava muito, andei quilômetros somente eu e o jegue e acabamos nos afeiçoando um ao outro e as perguntas sem respostas por tudo que tinha acontecido _ a menina _ Por que aquela linda moça falou que eu era considerado um espírito iluminado? Será que eles não confiam em espíritos iluminados? Porém eu não aceitava o fato de que tive delírio de deserto, como disseram.

    De tantas voltas chegamos à Síria na cidade Tudmur, já tínhamos passado pela Jordânia e ao chegarmos à Síria percebi que ali seria bem mais fácil e que realmente recebemos muita ajuda, passamos por Afeganistão e chegamos a Nepal, estávamos em casa, eu e o jegue são e salvo, não percebi a alegria do jegue balançando a cabeça, fomos bem recebidos, com um, porém, com a minha cabeça cheia de dúvidas.

    Ganhei muitos pontos comentei com o meu mestre orientador e ele me respondeu:

    –Deixe isto para lá algum dia irá saber o que está errado ou certo, nunca esqueça que a verdade virá a você, favorável ou não, mas ela virá.

   Eu pensei “é fácil ser mestre empurra para o futuro um passado”. O mestre olhou para mim e falou-me:

   – Sim, para o futuro porque terá tempo para aprender, o principal é ter paciência e esperar até em outra próxima encarnação.

   Olhei bem para ele, que acrescentou:

   – Nunca esqueça que eu te amo e viu, você já tem capacidade de conquistar até animais, olha para o jegue como ele olha para você, pode ter a certeza que ele te ama mais que tudo na vida dele, quem conquista um jegue porque tem uma grande sabedoria, e saiu.

    Eu fiquei olhando para jê e em pensamento eu falei:

    –Eu te amo.

   Ele veio a meu encontro com a cabeça baixa e esfregou levemente em mim, me ajoelhei e dei um beijo em seu beiço e ele relinchou e saiu pulando dando coice para cima e escutei uma salva de palmas, olhei para cima, e vi todos os mestres que estavam assistindo uma linda amizade entre um ser humano e um jegue, ri.

    Foi quando o Grande Mestre mandou me chamar, subi as escadas (trezentos degraus) e o Grande Mestre estava me esperando, fez uma reverência que era dos mestres e me falou:

   – Você está totalmente preparado em ir para o mundo e aplicar todo o seu aprendizado, já provou que sabe viver sozinho e aprendeu a conviver com a solidão e sair numa missão, sozinho, num país revoltado, ensinou com suas atitudes como o ser humano deve viver mesmo tendo tudo adverso contra si.

   Aprendeu a usar a sua força maior do desdobramento que são vinte e um de uma só vez, sei que está me ouvindo e ficando confuso, com sua sábia força irá descobrindo tudo para salvar a todos, sempre terá paciência no caminhar, no pensar, no agir e sempre ensinando com muito amor. Nunca tendo pressa em nada da vida, porque é na paciência que tem a sua maior virtude e agora que veio para si a grande reposta da sua vida e o grande esclarecimento, no amor está a sua grande virtude, nunca terás muito dinheiro sempre o necessário e nada lhe faltará, só que chegou a sua hora de ser consagrado monge com muito louvor e sempre será justo em suas atitudes e em suas decisões, o amor estará presente principalmente no sexo, que lhe trará muito prazer na sua caminhada que será de glória. O outro ponto certo, é que sempre soube usar a sua humildade e que sempre será o seu farol, irá caminhar muito, já nos provou que não lhes faltam qualidades em nenhum ponto de sua vida.

    Quando fui descendo as escadas fui pensando no que eu ouvira do Grande Mestre Espiritualista e Esotérico e pensei: “como podem andar tanto fisicamente, eu sou uma pessoa só”, neste momento ouvi uma voz dentro de mim que disse:

   – Não pense nisto ainda, não é o momento, tenha paciência que um dia a resposta virá, o Grande Mestre também era muito jovem, com uma única diferença, você é bem mais jovem que ele e quer saber? Ele até hoje ainda não conseguiu o esclarecimento de sua caminhada. Este ano ele completou oitenta e nove anos.

   –Nossa, leva tanto tempo assim! Falei surpreso.

   – Sim, o que tem que fazer é caminhar e resolvendo tudo que encontrar, dando as respostas e soluções.

   Eu pensei então: “Não será nada fácil.”

   – Não existe esta palavra em sua caminhada, à voz retrucou.

   – Pensei que tinha ido embora! Respondi

   – Ainda não, é só colocar uma pequena coisa na sua vida, o principal, o código é: “Eu te amo”, ou “Lhe amo” e quando é uma promessa falará: - “Eu te adoro”. Agora vou indo, tá bom!.

   – Mas vai mesmo! Deixa-me pensar em paz.

    Já estava chegando ao fim da escada e olhei para o corredor que me levaria ao portão de saída, quando eu cheguei parei e olhei para trás e me deu medo da nova missão que iria ter, todavia isto era uma sequência em minha vida, eu tinha medo do desconhecido e quem não o tem, enfim, sou de carne e osso e, muito humano.

   Contudo, se eu soubesse iria encarar normalmente sem medo e com muita confiança, mas a situação não era esta e eu me perguntava aonde vou e o que tenho que realizar, aí compreendi que era a dúvida que me levava ao medo. Vou sentir muitas saudades daqui.

   E assim comecei a minha caminhada, fui encontrando com a fome por aonde eu ia passando e fui parar numa cidade que achei muito acolhedora, algo me chamava à atenção naquela cidade.

   Tremi quando fiquei sabendo que o país era Itália, eu não acreditei não podia ser; já tinha se passado sete anos, fui andando e de repente uma porta me chamou a atenção bati nela com vontade de fugir dali, era uma casa simples, porém muito agradável e ali estava uma senhora deitada com roupas de dormir, ela era muito bonita, eu, imundo e uma mulher bonita, cheirosa e seminua, ela se levantou e me beijou com muita ternura, neste momento lembro-me que perdi a cabeça e o sexo aconteceu, quando amanheceu estava só na cama, com uma mesa repleta de coisas boas, tomei o meu desjejum.

   Tinha roupas novas e a mochila cheia de carne seca, pães e muitas frutas secas, com um bilhete: “Volte pelo mesmo caminho, assinado: Dora”. Peguei as coisas que estavam ali e imediatamente sai, dei alguns passos parei e olhei para trás e vi a janela aberta que lá estava Dora, mais linda do que nunca, balançando o lenço branco para mim, percebi que chorava, eu também estava chorando e peguei a estrada.

    Pelo caminho encontrei um casal e o senhor dirigiu-me a palavra:

   – Não perca seu tempo conosco porque gostamos desta vida.

   E todo caminho de volta encontrava pessoas que não aceitavam minha ajuda, mas eu não ligava fazia o que tinha que fazer e quando percebi estava no portão do Templo e lá estava Dora me esperando e recebendo a mim de braços abertos e com um sorriso encantador me fala:

   – Vou ajudá-lo porque está muito cansado.

   Quando chegamos à porta principal do Templo Dora me disse:

   – Agora vá, à noite nos encontraremos novamente.

   Contudo, naquele momento o que mais queria era um banho foi quando parei em frente ao Grande Mestre ele me olhou e disse:

  –- Não sei expressar minha admiração por você que acaba de cumprir a sua última missão e o fez com muita sabedoria, se comportando muito bem em receber o sim na viagem e o não na sua volta, o seu comportamento foi exemplar venceu com muita “”, não a perdeu por um instante, conseguiu a maior pontuação jamais vista neste Templo, no seu comportamento sexual foi discreto e carinhoso, já pode se considerar um Mestre.

   Fiquei feliz, e ele continuou me esclarecendo.

   – Você não levou sete anos, aliás, não faz um ano que daqui estava saindo por uma missão, terá daqui a alguns dias a sua celebração de Mestre e será indicado para um lugar, para o local que irá colocar em prática tudo o que aprendeu aqui, e/ou nas suas missões espinhosas que venceu com muita sabedoria, agora pode se retirar para os seus aposentos.

    Aí fui levado a um lugar muito bonito que tinha um jardim, com um lindo chafariz que representava um anjo fazendo xixi, um divã longo para as pessoas repousarem com uma mesa farta de bolachas, pães, frutas secas e naturais, no lado direito uma cama bem larga, primeiro tomei o meu banho, demorei muito, de repente escutei um barulho no jardim, saí da banheira e fui ver o que era, era Dora que tinha chegado aos meus aposentos, fizemos sexo por seis dias seguidos.

    Até que chegou o dia mais esperado, fiquei surpreso com Dora se despedindo de mim em desespero, eu achava-a muito bonita, mas não sentia amor por ela e aconselhei-a a manter a calma, que ela iria encontrar o homem que a faria muito feliz, desta forma foi nossa despedida e Dora me disse:

   – Pode passar séculos que não me esquecerei de você.

   Eu a agradeci e falei para ela:

   – Vou entrar em vibrações para que seja muito feliz.

    E assim foi a nossa despedida, logo fui chamado para me dirigir ao Templo e quando eu estava indo pensava em Dora e pedia aos irmãos espirituais que a ajudassem, pois não queria vê-la sofrendo.

   Mas, chegando à entrada do Templo senti uma energia muito ruim que me incomodou muito. Chegou o momento de ser consagrado Mestre foi uma cerimônia que me comoveu no fundo de minha alma, chorei de tanta emoção, quando chegou o momento de darem o nome da cidade para a minha caminhada, o Grande Mestre passou o pergaminho em que estava o nome da cidade ao Ancião que recebendo, abriu e leu o nome da cidade onde eu tinha que iniciar como mestre, que foi Milão na Itália.

   Foi como se o mundo desabasse encima de mim, pensei em gritar, derrubar tudo, ali para mim era como se o mundo tivesse sofrido um abalo com os meteoros e que só tinha restado eu vivo neste mundo. Quando o Grande Mestre se levantou e falou que eu, Mestre, desse a minha palavra, todo templo ficou em um silêncio que parecia estar vazio.

   Levantei lentamente pensando que a maioria dos Mestres tinham me prometido a voltar para Ribeirão Preto. Naquele momento me senti traído por pessoas que ensinam os discípulos só falarem a verdade, minha cabeça girava, eu olhei para todos eles a maior parte sorria para mim, foram poucos que baixaram as cabeças para não me olhar, fui levantando lentamente e com a voz embargada pela emoção, da raiva, que eu estava sentindo por dentro e falei:

   – Eu não aceito e renuncio a tudo porque eu sinto-me vergonha de todos os Mestres, e acrescentei – nada tenho contra a cidade de Milão, pelo contrário, acho uma cidade maravilhosa, de um povo ordeiro e religioso, mas a cidade que eu tinha escolhido precisava muito mais do que Milão.

    Tirei todos os ornamentos que me simbolizava como Mestre pedindo desculpas a todos os presentes, não obstante, eu ia me retirar para nunca mais voltar ali e andei firme, no corredor principal, o povo todo me olhando e nada falaram, o silêncio era total e eu desci firme, os trezentos degraus, ao chegar lá embaixo, a voz de um mestre com um megafone ecoou:

   – Não vá, volte, por favor, vamos conversar.

   Naquele momento eu senti que precisava ouvi-los e voltei. Lá chegando sentei-me na mesma cadeira, o Ancião me propôs:

   – Vá até Milão, por poucos anos e depois liberaremos a sua ida para onde você quiser.

   – Já falei que a minha verdadeira missão, não é em Milão, respondi, o que eu não posso é ser enganado por tantos Mestres de uma maneira tão mesquinha e vergonhosa, tem alguém que deve ter interesse que eu fique em Milão, torno a repetir, nada tenho contra esta maravilhosa cidade, eu não pedi aos Mestres, eles que vieram até a mim e disseram-me que votariam pela cidade que eu tanto queria, estou me afastando, é por causa desta traição que estou me renunciando.

    O Ancião me fala:

    – Você não pode se afastar porque irá perder à sua referência.

    – Pouco me importa se eu perder a minha referência, respondi, e acrescentei, estou tão magoado, tão revoltado neste momento, o Senhor, o Grande Mestre, não tem valor nenhum, tenho certeza que ambos estão atrás disto.

   Foi quando o Ancião pediu a palavra e disse-me:

   – Eu acho melhor pararmos por aqui e vamos dar um tempo para que todos nós possamos pensar e estudar este assunto tão grave é melhor estarmos a sós. Só as partes interessadas para discutirmos bem o problema porque se tornou muito sério.

   Foi quando a plateia do Templo, que estava superlotado, se revoltou porque queriam participar.

   O Grande Mestre chamou os guardas da segurança para esvaziar o Templo e lá fora houve um tumulto, jogaram pedras no templo e gritavam: “Queremos Florêncio”.

   Infelizmente, eram alunos, amigos meus, que acabaram praticando o vandalismo no Templo quebrando tudo. Chorei, pois eles protestavam por mim e chorava pelas ruínas que fizeram nos prédios, atacaram outros prédios e eu respondi por atos de vandalismo, fiquei quatro anos em cárcere privado, talvez estejam daí os grandes problemas nas minhas carótidas e na veia aorta, dessas dores que sinto, reumáticas, pelo meu corpo que já passou.

   Certo dia levaram-me na presença do Grande Mestre e do Ancião, os dois quando me viram ficaram muito assustados e me perguntaram como eu estava, olhei e nada respondi. Falaram-me que não podiam me expulsar da congregação e eu não podia pedir exoneração do meu cargo, que seria perseguido onde eu fosse. Propus-me a aceitar o que me ofereciam que foi o seguinte: “Voltar ao Brasil e cuidar da minha pessoa e só.”

    Assim, fiz minhas malas e voltei ao Brasil, não me deram dinheiro dizendo que eu não tinha direito, alegando que o tempo em que fiquei preso, num cubículo e que não paguei a comida e o pouso.

   Voltei ao Brasil, tive que trabalhar nas cidades que dava, não procurei ajuda nas Embaixadas Brasileiras, porque tive medo que os Mestres não fornecessem os dados que seriam pedidos normalmente por ela.

   Viajava de trem e ora de navio, cheguei ao Brasil com a roupa do corpo, com algumas outras mudas de roupa já bem surradas. Aqui chegando comecei a lecionar em um colégio particular, as roupas para trabalhar eu ganhei de uma pessoa que tinha muita pena de mim, o diretor de um Colégio no Rio de Janeiro e aí ele gostou do meu desempenho na sala de aula, eu era aquele professor coringa, o professor da matéria faltava, lá ia eu para a classe substituí-lo, sempre fui versátil e me saí muito bem.

    No ano seguinte assumi a cadeira de Psicologia e assim acabei prestando concurso, que passei e comecei a minha caminhada.

    Por onde eu passava sempre procurava uma igreja e normalmente o espiritualismo. Nunca deixei a religião de lado, sempre estava em uma ou em outra, mas não pensava mais em seguir nenhuma delas, respeitava a todas, porém dentro de mim eu sentia um vazio, estava me faltando à espiritualidade, não me lembrava do título de Monge, não sentia saudades dos covardes Mestres, sentia sim, saudades dos meus colegas, das brincadeiras que fazíamos no Mosteiro, do Templo, deles me lembrava de todos, inclusive, de suas fisionomias, dos Mestres e Monges, eu os via só de corpo sem fisionomia, e os Anciões e os Lamas só sombras.

    Eu já havia constituído minha família e levava a minha vida não como eu queria e sim como eu podia, no entanto, nós, eu e a minha companheira nunca esmorecemos e todas as noites agradecia a Deus pela minha esposa e pelos filhos que ganhamos nesta época, apesar da crise financeira, fomos muito felizes e assim fomos levando a nossa vida.

   Passaram alguns anos fui ao escritório contábil de um amigo, Clóvis, e lá chegando fui recebido com o seu sorriso peculiar me abraçou falando:

   – Quantos anos? Quem é vivo sempre aparece!

   Abraçamo-nos e Clóvis continuou:

   – Nossa! Você não envelhece.

   – É mesmo, respondi, faz muitos anos que não nos vimos. Como vai a sua esposa Cecília?

   – Ela está boa, temos cinco filhos.

   – Nossa! Lembro-me só do mais velho, Eugênio.

   E Clóvis continua

   – O segundo chama-se Nelson, a terceira Hercília, a quarta Josefa e o quinto filho Kleber e paramos por aí e você se casou?

   – Sim, me casei, tenho uma filha que se chama Andréa, o segundo é Ângelo e a terceira Adriana e paramos por aí.

   – Nossa! Como a vida passa e não percebemos, acrescentou Clóvis, o que está precisando?

   – De nada, estava aqui perto e resolvi dar um pulo para lhe ver.

   – Estou me mudando daqui.

   – Quando você irá mudar?

   – Segunda-feira, por quê?

   – Quer ajuda?

   – Sim será bem-vinda, conclui Clóvis.

   Segunda-feira bem cedo eu estava lá para ajudar o Clóvis, ele falou:

    – Amigo coloca estes jornais num saco de lixo e põe na sarjeta que o lixeiro levará. Nunca tinha visto tantos jornais em minha vida. E assim foi quase toda manhã, em dado momento vi um jornal que chamou minha atenção, na primeira página tinha a fotografia de uma menina, separei e quando acabei com o trabalho perguntei ao Clóvis:

   – Clóvis, de quem é este jornal? Mostrando o jornal que separei.

   Ele olha e me responde:

   – Não me lembro, alguém deve ter esquecido, por quê?

   – É por causa da fotografia desta menina, mostrei a ele.

   – Que tem esta fotografia, é uma garota que devia ter uns quatro anos, com esta idade as meninas são muito parecidas.

   Bem, continuamos a nossa tarefa e quando me lembrei do jornal que eu tinha posto em cima de uma mesa, procurei e não encontrei o jornal, quando terminamos a mudança àquela menina do jornal não saía da minha mente e na festa de inauguração a Cecília a esposa do Clóvis trouxe salgadinhos e a tradicional cerveja.

   O novo local era bem maior, mais arejado e bem central. Quando nos preparava para sair eu perguntei novamente a ele e a Cecília me pergunta:

   – Que jornal é este?

   Foi então que Clóvis fala:

   – É um jornal da Arábia Saudita.

   Ouvindo isso eu estremeci e perguntei a ele:

   – Como você sabe que aquele jornal é da Arábia Saudita?

   – Puxa, Florêncio aquela fotografia mexeu com você!

   Cecília interveio:

   – Prometo que amanhã vou dar uma boa olhada, tenho que varrer a sala para poder entregar as chaves, pode ter caído onde ninguém percebeu. Aí, ela me pediu que contasse a história que envolvia aquela menina.

   – Eu estava em uma missão religiosa na Arábia Saudita, contando tudo a ela que ficou impressionada com a história, chorou e disse-me:

   – Juro que eu vou encontrar este jornal para você, uma história bonita e sem epílogo, eu lhe prometo.

   Fiquei sabendo por Clóvis que ela antes de varrer a sala remexeu todo lixo e não encontrou o tal jornal. E eu perguntava para Clóvis se ele não se lembrava do homem o que ele queria, mas sabia que Clóvis sempre foi muito distraído dificilmente ia ficar se lembrando de alguma coisa, do nome, da fisionomia, cansei e percebi que estava abusando da sua bondade.

   Parei de ir lá e de telefonar, para que Cecília não ficasse tão preocupada e, assim, os anos foram passando e a minha vida na mesma rotina, porém sempre feliz porque tinha uma companheira maravilhosa e muito dedicada à família e a mim. Eu ainda tinha meus pais vivos e os meus sogros também, de repente, tive um grande baque financeiro o que eu tinha e tudo que eu tinha ganhado, os meus queridos irmãos me tomaram, tudo, a fortuna da minha mãe adotiva que tinha deixado para mim, realmente era uma fortuna, tão logo percebi que aquela herança não era boa e me conformei e logo vi o que aconteceu com todos os herdeiros e tenho dó.

    Só uma coisa, eu não entendi o porquê, todos eles pagaram de alguma forma, e todos foram os filhos os maiores prejudicados, pensei que eu tivesse culpa, mas os irmãos espirituais me falaram que algum dia saberia a verdade, agora me sinto calmo, a culpa não foi minha e sim deles, procuro hoje em dia atender os meus sobrinhos e fazer tudo o que eu posso, alguns sobrinhos ficaram longe e não se aproximaram, estes sofreram mais ainda. Peço sempre as correntes espirituais que me esclareçam para ver o que mais posso fazer por eles.

    E fiquei dois anos sem ter notícias do meu amigo Clóvis e de Cecília, um belo dia encontro com Cecília, ela quando me viu abriu aquele lindo sorriso e veio ao meu encontro para me abraçar e falando:

    – Florêncio você sumiu! Nunca mais tivemos notícias suas, nós o procuramos e fomos à casa de seu pai ele nos falou num tom de mal estar que você tinha sumido com a família e não sabia onde tinha ido, ficamos muito preocupados com o que tinha acontecido.

   Eu respondi a ela:

   – Bem, o Clóvis sabe que o meu pai não gosta de mim, para ele eu não existo, Cecília gostaria de saber o porquê deste ódio.

   – Com certeza um dia isto será esclarecido.

   – E Clóvis como vai, está bem de saúde?

   – Aí que está Florêncio, ele está com a pressão alta e com diabetes também, mas não faz o tratamento, já teve duas crises, controla a alimentação e toma os remédios só quando está hospitalizado, quando sai do hospital fica grosseiro, não escuta ninguém, grita, fala mal, bate a porta e sai, não sei mais o que fazer.

   – A qualquer hora vou visitá-lo, o escritório está no mesmo lugar?

   – Florêncio o que você fez com o jornal, já encontrou com o senhor Sami?

   – Cecília o que você está falando do jornal, senhor Sami?

   – Sim, a mais ou menos um ano fazendo a faxina geral no escritório, José aquele menino que era nosso boy o encontrou em cima da estante, aonde colocamos as nossas pastas A/Z, aquela peça encaixada na peça de baixo aonde guardamos os livros contábeis dos nossos clientes, no dia da faxina José colocou a escada para limpar em cima da estante e encontrou o jornal e saiu gritando olha o jornal daquele senhor da fotografia da menina.

    Clóvis ficou eufórico, foi por este motivo que fomos à casa de seu pai lhe procurar, aí o Clóvis decidiu procurar o Sami, porque lembrou que este senhor tinha que mandar o número do seu salvo conduto, que era um documento exigido naquela época pelo Palácio do Governo Federal, que ficava na cidade do Rio de Janeiro, mas Clóvis nunca mais comentou sobre isto.

   – Fala para o Clóvis que ainda hoje vou passar por lá, quero saber o que Clóvis conversou com o senhor Sami, conclui.

    Despedimo-nos, Cecília se dirigia para o seu escritório e eu para meus afazeres, já tinha em funcionamento a creche “Lar Irmã Izolina”, no qual eu e minha esposa Nilza Invernizzi Lopes, somos os fundadores, eu estava muito inquieto tinha que lecionar, tinha também adquirido um bar e mercearia e quem tomava conta era o meu sogro e a minha sogra.

    Fui ao escritório do Clóvis, lá chegando encontrei uma verdadeira bagunça, todos estavam procurando o jornal quando Clóvis me viu chegando, ele tinha guardado o jornal e falou:

   – Depois que vim da casa do seu pai fiquei “puto da vida” o que aquele homem falou de você e o cinismo dele, aí que vi como você sofria com aquela gente, eu pensei em procurar o senhor Sami, foi ele quem esteve aqui para nós mandarmos para o Itamarati o número do seu salvo conduto, e esqueceu o jornal, e não tive coragem de ir até você, depois do que seu pai me falou, pensei não vê-lo nunca mais e eu guardei o jornal e agora não me lembro de onde o coloquei.

    – Clóvis isto sempre foi o seu normal.

    Falei e olhei para Cecília e caímos numa gostosa gargalhada, todos do escritório pararam de procurar porque acharam que nós tínhamos encontrado o jornal e eu falei para todos:

   – Voltem para o seu trabalho, este jornal irá aparecer e esclarecer as nossas dúvidas é que ainda não chegou o momento, agradeço a todos, contudo, eu não sabia que o pior estava por vir.

   Clóvis depois de dois dias veio ao desencarne. Cecília entrou em estado de choque, foi tudo tão triste e horrível, passado alguns dias fui ao encontro dela, que estava sentada entre três senhores, um era o seu pai e os outros dois eram os compradores do escritório, que há meses estavam em negociação para comprá-lo.

    Quando Cecília me viu apresentou-me aos novos proprietários e me pediu para retirar as coisas de Clóvis e dela, era pouca coisa como era de se esperar, e ao se despedir dos novos donos do escritório, o senhor Carlos e do senhor Oswaldo, falou:

    – Este é o Florêncio que tem um interesse muito grande pelo jornal que comentei a respeito, o interesse só pode beneficiar a ele e a ninguém mais, só que eu quero saber qual será o epílogo desta história, que tenho certeza que será muito bonita.

   Logo Cecília despediu-se dos seus ex-funcionários, eu também me despedi de todos, quando nós íamos saindo o jovem José falou-me:

   – Senhor Florêncio eu lhe peço que quando encontrar o jornal, por favor, nos conte o que aconteceu.

   Sorri e respondi-lhe:

   – Palavra dada.

   Todos riram, e fui me despedir de Cecília, desejei-lhe o melhor, e ela fala para mim:

   – Não esqueça, eu quero saber o fim desta história.

   No escritório, continuava a história do jornal.

   Quando chegou sexta-feira a tarde o senhor Oswaldo chamou todos ao escritório e pediu que todos viessem fazer uma limpeza geral nas dependências no sábado, todos concordaram em vir, porém ninguém gostou, quando o senhor Oswaldo disse que era para tirar o cheiro do senhor Clóvis e acrescentando, você José que irá limpar bem a escrivaninha do Clóvis.

    No dia seguinte foram chegando um a um e nada do senhor Oswaldo quando foi dez horas da manhã chegou com uma cara feia, bruto, abrindo a porta do escritório e todos começaram a faxina e José foi tirando as gavetas, quando tirou uma gaveta eis o jornal tanto procurado, e a festa começou, ligaram o rádio e dançaram no ritmo da música, de repente bate na porta, quem estava mais próximo dela era a Martha, que a abriu, era o proprietário de um escritório, também, aqui da cidade e que propôs serviço a eles, em sua firma, recomendado pela dona Cecília, aí que a alegria tomou conta.

   O senhor Fábio solicitou que pedissem para sair da firma, dois de cada vez e o último seria o José, que não gostou muito da história, e o senhor Fábio explicou para José que ele era o melhor funcionário, por este motivo que seria o último, que quando os novos patrões tivessem dúvidas ele seria capaz de explicar tudo a eles, porque José sabia de tudo.

   Enfim, Cecília falou para o Senhor Fábio que José tinha todo o conhecimento do escritório e que era uma capacidade rara, porque ela sabia que eles iriam ser mandados, todos, um a um, para a rua.

   Saindo da limpeza José correu para a casa de Cecília, que já tinha se mudado para onde moravam os seus pais, no Acre, e não pode agradecer a ela pelos elogios que fez dele ao senhor Fábio.

   José não sabia o meu endereço, mas sabia o endereço da creche “Lar Irmã Izolina” e na segunda-feira ele levou o jornal para mim, todo feliz me falou:

   – Eu estou tão feliz por ser útil para o senhor, vejo no senhor uma luz muito brilhante, e complementa, se eu morresse agora com esta sua paz e luz eu seria o maior felizardo. O mundo está precisando de sua paz e da sua sabedoria, acrescentou.

   Eu chorei muito, mas com muita paz e pensei que nunca mais seria espiritualista. De repente me escureceu a visão e vi pela primeira vez um espírito rindo para mim e me falou:

   – Nunca pense que nunca mais será isto ou aquilo, o meu nome é Europeu, fui avô de sua esposa nesta encarnação.

   Então perguntei a ele porque não o seu nome terreno Vitório, ele sorriu e me olhou e falou:

   – Também acho bonito, mas virá um seguidor com o nome Vitório e, sumiu.

   Nesse instante, começaram aparecer muitos espíritos iluminados, saí da creche e fui para casa não sei dizer como cheguei lá, mas muito alegre.

   Passou-se uma semana e olhava para o jornal e não me dava disposição, teria que arrumar o endereço do senhor Sami com José, que deveria estar no livro do Clóvis onde anotava todos os clientes que passavam pelo escritório.

   Telefonei para José que me escutou e respondeu para mim:

   – Sinto muito senhor Florêncio só que este livro a senhora Cecília levou com ela.

   Eu agradeci a ele e pensei: “agora o que fazer, eu estou com uma grande vontade de deixar esta história à vontade, algum dia, de alguma forma terá uma solução”.

   Minhas visões continuavam e dependendo da hora, me cansava muito, até que na madrugada me levantei para ir ao banheiro, lá de fora, no quintal, quando na volta dele, levei um grande susto, me deparei com os espíritos: Europeu, Chulli, Hortência, Viraldo do Mundo e Edwar, cheguei a gritar (a minha sorte que ninguém escutou), o meu coração disparou e eu não conseguia me controlar, depois de algum tempo fui me acalmando e lhes falei:

   – Vocês me matam de susto!

   Responde Chulli:

   – Desculpe-nos, não foi esta a nossa intenção, você terá que se habituar conosco, não temos que avisá-lo, é você que deveria estar ligado, nas suas vinte e quatro horas.

   – Eu tenho que estar ligado sempre para vocês?

   – Sim, respondeu Edwar, você terá que saber o que está acontecendo em sua volta, tanto do lado material como do espiritual.

   – O seu nome é Edwar? Pergunto, é a primeira vez que o vejo por aqui.

   – Irá se habituar a todos nós, os que estão neste momento, você está sendo assistido por milhares de espíritos.

   – Mas como?

   – O Meu nome é Hortência lhe acompanho desde que você voltou a Terra e recebendo o nome de Florêncio Antonio Lopes.

   – Mas este aí, falei apontando para Edwar, disse-me que tem milhares de espíritos me vendo e escutando a mim?

   – Você sabe que o meu nome é Europeu, isso não lhe dá o direito de falar com Hortência a respeito de Edwar. O senhor disse “este aí”, apesar do seu esclarecimento maior que o nosso, não tem o direito de se dirigir a um companheiro que acaba de se apresentar falando “este aí”, o ignorando, sabemos pelo que passou aí na Terra e ainda é perseguido, sabemos que foi injustiçado, mas tem que respeitar as pessoas e os espíritos, você se protegeu com um escudo de um orgulho muito dolorido.

   Esquece, perdoa a todos sem deixar um ser vivo sem o seu perdão. Todos nós escutamos a sua grande decepção, com os familiares e que os filhos deles, os seus sobrinhos, estão pagando pelos erros dos seus pais, não é bem assim, foram escolhidos, os espíritos que deveriam começar um aprendizado para que os seus familiares aprendessem. Você não tem culpa, sabemos como os ama, foram para os pais que o acusaram para receberem a lição. Os seus parentes que já estão aqui já aprenderam a lição.

   Assim é a vida e nem todos os sobrinhos sofrem pelo menos dois se salvaram, um que desencarnou há pouco tempo do sexo masculino e a outra do sexo feminino que está viva e sabe quem foram os privilegiados, para ajudar a mãe não cometer tantos erros na vida. – Bem meu querido amigo olhe para seu lado esquerdo, o que você está vendo?

   – Nossa! Quantos espíritos!

   – Todos seus amigos, completou Hortência.

   – Olhe para seu lado direito

   – Olhei e assustei, eram muitos, mas muito mesmo.

   – São todos seus amigos e tem nome certo, complementou Chulli.

   – Olha para cima, fala Edwar.

   Fiquei realmente assustado, aí percebi que os de cima se uniam, formando uma cúpula, era uma amplidão de espíritos todos sorrindo e Edwar complementou:

   – Todos seus irmãos e a sua família espiritual.

   Eu fiquei parado não acreditando no que via e estava escutando todos eles juntos me dizerem:

   – Nós te amamos.

   Eu respondi chorando:

   – Eu adoro todos vocês.

   E todos responderam juntos:

   – Nós também.

   Nesta hora eu caí de joelhos e senti uma mão fria no meu ombro e olhei, era o espírito do Grande Mestre eu me assustei e atrás dele estava o espírito do Ancião e de diversos Lamas e Mestres, a grande parte deles, e todos choravam quando o Grande Mestre me disse:

   – Agora que estamos desencanados, que passamos a sofrer pelos nossos erros e lhe pedimos que perdoa-nos, a todos nós que o prejudicamos, só que agora não existem mais nossos templos e mosteiros e só você pode reerguer a nossa caminhada que sempre foi o desespero de uma vida luxuosa, a nossa caminhada era para salvar o mundo, onde o representante maior da humildade que é Deus, por isso nesta caminhada você se tornou uma pessoa que não ligou para riqueza, que sempre não deu valor a ela e que nunca deixou de ensinar as pessoas a lutarem e realizar seus sonhos e que nunca cobrou fortunas e sim o suficiente para cuidar dos seus familiares, principalmente ensinando a lutarem e dar muito valor no dinheiro ganho.

   Sabemos como você lutou com seus filhos e eles não sabem nada disso porque nunca falou a eles o que fez, sabemos que não falou porque foi traído por nós e sempre por quase e por todas as pessoas em que você amou e ainda ama, porque não sabe odiar e muito menos castigar, mas sabe como ninguém perdoar.

   Sabemos por tudo que passou e que nunca disse nada para ninguém, porque estes estados espirituais que os têm, sempre pensou que era normal em todos os seres humanos e nunca fez comentários, é que sempre achou que são alucinações das pessoas normais, foi por isto que se calou, era uma coisa particular de cada um e que não havia necessidade de conversar sobre este assunto, ate agora acha normal nos seres humanos os desdobramentos e você os faz vinte vezes para diferentes partes do mundo.

   O seu trabalho é maravilhoso, ocupou-se destes para fazer os seus cursos somente de três desdobradores, não foi somente nós que o traímos, a sua família da parte materna, também da paterna e de tantas outras pessoas que se aproximaram de você, o traiu.

   – Mas a sua caminhada, falou o Ancião, você nunca parou com ela, sempre trabalhando e, muito, no seu desdobramento, só que querido irmão, desde que nós o traímos da forma mais vil, usando o nosso poder para aniquilar qualquer espírito, sabemos o que sentiu em seu físico, como uma lâmina muito afiada para destruir as suas forças, foi quando percebemos que nós éramos muito pequenos para lutar contra as suas forças. Quando passamos a observar, tudo estava deteriorando à nossa volta, os templos estavam caindo, foram os primeiros, e assim, nós mesmos, eu fui o primeiro a desencarnar chamando por você, que veio aliviar as minhas dores, se ajoelhava, orava por mim e em todo final de suas orações me olhava, sorria e me dizia com muito carinho: “Eu te amo”. Sei que não tenho este direito, volte ao caminho do: “Eu posso, eu quero, eu vou”, do “Eu vou, eu posso, eu quero” e “Eu quero, eu vou, eu posso com Deus”. Desdobre-se e vá a Moscou, o Mestre Alessander, está cometendo muitos e muitos erros capitais, sei o que está passando em sua mente de como ainda podem julgar alguém.

   Eu olhei com muita pena daquele espírito, pensei: “ainda caluniando”.

   Quando o Grande Mestre falou.

   – Sim continuamos caluniando, respondendo para mim, somos espíritos atrasados, precisamos do seu perdão.

   – Já perdoei a todos só tenho amor por vocês e um grande respeito. Sofrem, é porque não estão sabendo se perdoar, eu respondi me levantando, acrescentei, nunca fui contra vocês só defendi o meu ponto de vista, eu perdoo a todos. Vamos nesse momento levantar todos, vamos nos dar as mãos e juntos falarmos alto “eu me perdoo”.

   Mas os Lamas queriam saber a minha palavra.

   – Não posso dá-la, pelo menos por hora, tenho que pensar se vou voltar para “eu quero, eu posso, eu vou, com Deus”, não posso de forma nenhuma dar a minha resposta agora, tenho que pensar analisar e ver as pessoas que disponho ao meu redor.

   – Bem, vamos lhe dar um tempo, falou o espírito do Grande Mestre.

   Entrando, para dentro de casa, falei:

   – Vocês não tem o direito de estabelecer a mim um prazo, estão querendo voltar à prepotência? Se eu aceitar ou não, quem me deve obediência são vocês. Já falei que vou pensar e analisar bem, quando eu tiver a minha opinião formada prometo que transmitirei o que resolvi, lógico que irei pesar em primeiro plano o bem estar da humanidade. E todos, já podem começar o seu trabalho para me ajudar a salvar a humanidade, terão que trabalhar bem próximo de mim, quero ver o que cada um está fazendo, não confio em vocês, se deixaram a vaidade e o egoísmo, tomar conta das suas mentes, não posso confiar em vocês.

   Quanto ao tempo de melhorarem à vida dos seres humanos irá depender da minha resposta de sim ou não e todos eles gritaram: “Nós te amamos”.

   – “Eu também amo vocês, nunca deixei de amá-los”, respondi.

   Nesse momento, na minha mente veio à tona a garota do jornal, eu tinha que descobrir o endereço de Sami, foi o que fiz, como tinha o endereço da Cecília escrevi a ela e pedi e endereço dele que devia estar no livro de serviços realizados pelo Clóvis.

  A minha cabeça rodava, o que mais tinha acontecido e a história da menina que me chamava à atenção, a espiritual não me preocupava porque já tinha a minha resposta firmada em minha mente o que eu queria era desvendar a história de Sami e a menina.

   Eu pensava que na aflição daquela garota e em alguns momentos, tão criança e em outros momentos tão adulta, isto confesso que me assustava um pouco, também, na alegria daquele sexo, da Dora vir correndo me abraçar quando eu perdi pela segunda vez os sentidos, por que eu os perdi? Será que foi por fraqueza? Não era possível essa lembrança se apagar da minha mente. Não podia, eu estava ali em desdobramento, o que aconteceu comigo no Brasil, o que era possível? Mas, o que?

   Depois de alguns dias recebo uma carta de Cecília me enviando o endereço de Sami, me desejando sorte e que eu deixasse de escrever para ela contando tudo.

   Fiquei emocionado com o interesse dela, que já tinha me ajudado muito, se ficasse na responsabilidade de Clóvis, com certeza, nunca eu teria a oportunidade de descobrir a verdadeira história, não por ele não ter responsabilidade e sim por ser demais distraído.

   No dia seguinte fui ao endereço, chegando a casa me admirei com o belo jardim, muito bem cuidado, era realmente de emocionar qualquer um, toquei a campainha da casa veio atender uma jovem de cor, simpática:

   – O que o senhor deseja!

   Aqui mora o senhor Sami? Perguntei.

   – Não sei, sou nova aqui, vou chamar a patroa.

   Veio uma senhora muito bonita, logo percebi a fineza daquela senhora, lógico naquele bom gosto de sua vestimenta só podia ser a dona da casa e daquele jardim maravilhoso. Muito educada se dirigiu a mim:

   – Em que posso ser útil?

   – O meu nome é Florêncio Antonio Lopes, respondi.

   Ela olhou bem nos meus olhos e levantou as mãos para o céu e veio ao meu encontro dizendo:

   – Guiomar abra o portão a este senhor.

   A moça sorriu e abriu o portão.

   – O senhor é o Homem de Fé que me salvou na Arábia Saudita, exclama.

   O que eu procurava, a resposta de tudo estava bem na minha frente.

  – O senhor me salvou para a vida, continuou a falar, quando fomos presos, o senhor estava sem sentidos e caído no chão, Sami nada falou sabia que assim teria oportunidade de se salvar, mas iria querer ter muita proteção de Alá, agora eu vejo que teve a grande proteção de Alá. Todas as noites eu rezava para o seu espírito e quando acordava às quatro horas da manhã o via perto de mim, sempre sério, que me passava muita paz, harmonia e eu sentia a cura em meu físico e espiritual, só que eu pensava que o senhor fosse espírito e que tivesse desencarnado, porque agora estou vendo o único que se salvou. Ali é o inferno! Como o senhor se salvou?

   Eu tinha que falar a verdade.

   – Mas antes de contar à senhora, você sabe o meu nome? Qual é o seu?

   – O Meu nome é Sofya, Sami era o meu marido que já faleceu há alguns anos.

   Outro ponto resolvido, Sami era o marido dela, é pena já estava desencarnado e provavelmente eram os pais da menina.

   – Bem estou aqui dona Sofya por causa do senhor Sami, há alguns anos ele foi ao escritório do senhor Clóvis para qualquer esclarecimento que tinha para o Itamarati.

   – Sim, sim eu me lembro do senhor Clóvis, ele veio umas três a quatro vezes aqui falar sobre o salvo conduto de Sami, do meu e de nossa filha Tatyana.

   Quando falou na filha, chorou.

   Eu pensei: “Tatyana é a garota do jornal”. E logo perguntei o que tinha acontecido com a filha.

   – Faleceu num desastre com o seu carro, era médica, Sami não aguentou o baque e dias depois veio a falecer e, enviei o jornal para uma senhora, disse Sofya estremecendo e olhando para mim e me pergunta: Como este jornal chegou às suas mãos?

   – Foi o senhor Sami quando esteve no escritório de Clóvis que esqueceu lá e contei toda história da ida e vinda desse jornal, agora que definitivamente voltou a mim.

   – Nossa! Essa mensagem é para o senhor, esta é a foto de Tatyana que já era moça e colocamos a sua fotografia quando ela tinha doze anos que dizia:

   “Meu Santo Homem não sei onde está. Às vezes penso igual aos meus pais, que deve estar morto, mas na verdade eu acho que está bem vivo. Oro todas as noites para você e, assim, tenho um bom sono, só não tenho aquelas visões da Arábia Saudita, fiquei sabendo que aqui no Brasil tinha um jornal que dava notícias das pessoas da Arábia Saudita. Estou mandando onde estiver que eu mamãe e papai ‘te amamos’: assinado Tatyana.”

   Estávamos os dois chorando. Depois de um grande silêncio eu falei:

   – Tenho que ir embora!

   – Posso lhe pedir mais um grande favor, dirigindo a mim, a minha filha o amava demais por ter-me salvado e me dado à vida.

   – Peça.

   – Quero continuar trabalhando com o senhor, porque continua sendo o meu santo favorito, não adianta me pedir para que eu pare, porque tenho fé no senhor que curou tantas pessoas até hoje.

   Olhei para ela chorando e ela também estava chorando, abracei-a e falei em seu ouvido “continua”. Dei-lhe um beijo na testa, quando já ia saindo ela falou:

   – Obrigada por tudo, posso ficar com o jornal do Sami?

   Dei a ela, pois sabia que nunca mais a veria. Mas o importante é que eu consegui o resultado final desta história. Para mim o nome de Tatyana me representa – ânimo, do Sami – coragem e da Sofya – beleza.

   Depois de três semanas retornei a casa, o jardim estava feio, quase tudo seco, toquei a campainha e uma vizinha me chamou:

   – Moço, qual é o seu nome completo? Dirigindo-se a mim.

   Disse o meu nome a ela, que acrescentou à senhora Sofya antes de desencarnar deixou esta carta para o senhor. Chorei muito, a senhora comovida me convidou a entrar, que aceitei de pronto, entrando ela me pergunta:

   – O senhor é parente?

   Olhei àquela senhora e com gesto de cabeça fiz que sim, mas de repente senti um momento de grande beleza, agradeci aquela senhora pela sua gentileza e saí. Fui andando até chegar num jardim, me sentei no banco respirei profundamente e abri a carta, tinha uma poesia que dizia assim:

“Meu querido Santo amigo,

Devo a ti

O prazer, a alegria, a paciência e o amor.

Eu tive tudo isto porque você me deu.

Estou indo ao encontro dos meus amores,

Sami e Tatyana que estão já ao meu lado

Sinto que você foi pai, mãe, avô de nós três.

Sami manda lhe dizer que você,

Representa para ele uma maravilhosa flor.

E é assim que inicia o seu nome.

Tatyana manda dizer-lhe

Que você nunca saiu do lado dela,

Que você era Brisa, que a alcançava nas horas ruins.

Eu lhe digo amigo que você é o Santo

Que sempre me acompanhou e me ajudou

Ao lhe conhecer melhor quando me disse

“Eu te amo”

Sempre estaremos por perto para sentir o perfume da flor.

Sempre será a brisa para nos refrescar e a nos evoluir

Sempre será o nosso Santo, isto que é ter exclusividade!

Privilegiados os que se aproximam de “Ti”,

Com certeza, Irão sentir tudo isto e muito mais tenho a convicção.

Sofya”

   Escrevi para Cecília, contando o final da história, que chorou muito.

   Logo, nesse mês de dezembro de 2013 faço setenta e oito anos de idade, e só agora estou trazendo público essa minha história de vida, só nos dias de hoje que eu tive coragem de contar o que passei.

 

Florêncio Antonio Lopes

Professor Espiritualista

Graduado Senhor-Mestre no Amor Entre os Povos