Mestra Carla Costa Garcia

    Conheci o Senhor-Mestre há muitos anos, quando as pessoas ainda o chamavam de Sr. Florêncio e eu era uma garotinha entre 5 e 6 anos de idade. Naquela época, eu não entendia o que acontecia naquelas reuniões que meu pai frequentava e pelas quais ele, o Senhor-Mestre, era o responsável e, a meu ver, também o culpado por tirar algumas horas que meu pai poderia estar ao meu lado.

   No começo tudo era apenas o desconhecimento. Mas com o passar do tempo foi virando raiva, ódio... Eu era pequena e não poderia ficar sozinha em casa e, quando minha mãe começou a frequentar o Templo, passei a ser obrigada a acompanhá-los. Era muito ruim! A reunião nunca acabava, eu tinha que ficar quieta ouvindo aquelas pessoas falarem. Cada vez que o Sr. Florêncio tentava me agradar, menos eu gostava dele. Eu não queria estar lá e ele era o culpado por tudo.

    Foram muitos anos em que meus pais lutaram para me fazer querer ir ao Amor Entre os Povos, mas nada resolvia... Como uma boa “aborrescente”, essa história só começou a mudar, quando eles me deram a liberdade de escolher o que fazer. Depois de um tempo em que pude, enfim, ficar em casa, resolvi frequentar a religião.

   Descobri que gostava de ir ao Amor Entre os Povos e que lá eu me sentia bem. Aos poucos, aquele inimigo foi se tornando alguém a quem eu queria ouvir, com quem eu desejava aprender e cuja opinião passou a me importar. Apaixonei-me pela religião e mais ainda por ele.

   Ele sempre diz que, quando desistiu de mim, eu o conquistei. Não sei como isso aconteceu, mas me lembro bem do dia em que fui consagrada Noviça e ele disse a todos que “de alguém que não o suportava, eu me tornei uma grande amiga!”

   Grandes amizades não costumam ter histórias convencionais e assim foi a nossa. Um dia, uma professora me escreveu uma frase do livro O Pequeno Príncipe, “cativar é criar laços” e creio não haver melhor definição para o que há entre nós. Nada foi natural. Foram laços construídos com uma grande dose de dedicação de lado a lado. Foi assim quando, em nossa viagem para a Serra da Canastra, ele me olhou no meio de todos e disse “eu te amo” ... Depois de segundos de silêncio, foi a primeira vez que respondi que também o amava sem que isso fosse feito em coro com todas as outras pessoas.

   Toda grande amizade tem seus altos e baixos e nós também temos os nossos. Nem sempre estou pronta para ouvir as verdades que preciso. Há coisas que discordamos, há momentos em que eu, que ele diz ser uma das poucas pessoas que nunca teve medo de falar com ele ou perto dele, fico tímida, na defensiva. Mas isso é normal. O que importa é que mesmo com um começo tão difícil, hoje ele é pra mim a verdadeira imagem e personificação de um amigo. Alguém a quem recorro nos momentos difíceis e com quem faço questão de compartilhar os momentos felizes, as conquistas. É alguém que acredita em mim, muitas vezes até mais do que eu própria, que me estimula, me ajuda a crescer e, mesmo diante de minha teimosia, não me deixa desistir. Alguém em quem acredito e confio plenamente.

    Hoje ele é meu conselheiro, meu suporte! Enfim, alguém a quem eu quero muito bem e quero ter sempre ao meu lado. Alguém que me ensinou como é bom se amar e se respeitar, a importância e o diferencial em se ter um sorriso no rosto e me fez ver como é bom, bonito e incrível dizer eu te amo a todos a quem se ama. Alguém a quem eu só posso desejar o melhor e, neste aniversário, mais do que dizer Parabéns, devo dizer obrigada por ter me dado outras chances, por ter se tornado tão importante em minha vida e ser este meu amigo tão especial. Feliz Aniversário, Senhor-Mestre! Eu te amo!